Dia Mundial do Coração: prevenir é também garantir o direito de viver com saúde

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 29/09/2026, 10:51h

Celebrado em 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração é uma oportunidade para ampliar o acesso à informação e lembrar que cuidar da saúde cardiovascular não deve ser uma preocupação apenas de quem já recebeu um diagnóstico. A data chama atenção para a prevenção, a identificação dos fatores de risco e a importância do acompanhamento adequado ao longo da vida.

As doenças cardiovasculares afetam o coração e os vasos sanguíneos e permanecem como a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 19,8 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares em 2022, o equivalente a aproximadamente 32% de todas as mortes registradas naquele ano. Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) responderam por 85% dessas mortes.

O cenário mostra por que a prevenção precisa fazer parte da rotina. Entre os principais fatores de risco modificáveis estão o tabagismo, a alimentação inadequada, a falta de atividade física, o consumo prejudicial de álcool, a pressão arterial elevada, alterações da glicemia e do colesterol e o excesso de peso. A poluição do ar também é reconhecida como um fator ambiental relacionado ao risco cardiovascular.

Prevenir, porém, não significa responsabilizar individualmente quem adoece. A saúde do coração também depende das condições em que as pessoas vivem, trabalham, estudam e envelhecem. Ter acesso à alimentação adequada, espaços seguros para a prática de atividade física, informação de qualidade, acompanhamento na atenção básica, medicamentos e atendimento especializado faz parte da prevenção.

Essa perspectiva é especialmente importante quando se fala em inclusão. Orientações sobre saúde precisam alcançar pessoas com diferentes idades, condições socioeconômicas, deficiências e níveis de acesso aos serviços de saúde. Uma campanha de conscientização não cumpre plenamente sua função se a informação não estiver disponível de maneira compreensível e acessível para todos.

A prevenção começa com atitudes que podem ser incorporadas à rotina, como não fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e acompanhar fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia. Quando há diagnóstico de hipertensão, diabetes ou alteração do colesterol, o acompanhamento profissional e a adesão ao tratamento são fundamentais. A OMS destaca que a identificação precoce permite iniciar medidas de controle e tratamento antes que ocorram complicações.

Outro ponto importante é reconhecer os sinais de uma emergência. No caso do infarto, dor ou desconforto no peito pode ser acompanhado por falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou dor que se espalha para braços, ombros, pescoço, mandíbula ou costas. Os sintomas podem variar, especialmente entre mulheres, pessoas idosas e pessoas com diabetes. Diante de sinais compatíveis com um infarto, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente.

O Dia Mundial do Coração, portanto, vai além de uma campanha sobre hábitos individuais. A data coloca em discussão o direito à prevenção, ao diagnóstico precoce, ao tratamento e à informação acessível.

Cuidar do coração é também criar condições para que mais pessoas tenham a oportunidade de viver com saúde e autonomia. Isso envolve escolhas individuais, mas também políticas públicas, serviços de saúde preparados e uma sociedade capaz de comunicar informação de forma clara e inclusiva.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia mantém ações de conscientização sobre prevenção cardiovascular e, em 2026, vem promovendo iniciativas relacionadas ao tema ao longo do mês de setembro.

A mensagem do 29 de setembro é simples, mas tem impacto coletivo: conhecer os fatores de risco, procurar acompanhamento de saúde e reconhecer sinais de emergência pode fazer diferença. E essa informação precisa chegar a todos.

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