Malafaia rompe o tom de apoio e chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” após carta de Flávio

Pastor critica estratégia política do senador, que deixou o Brasil e divulgou documento com acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 28/10/2026, 11:15h

O pastor Silas Malafaia criticou duramente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de uma carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi apresentado inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizadas em 25 de outubro.

Em mensagens enviadas a aliados pelo WhatsApp na quarta-feira (28), Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de “jumentos” e questionou as orientações recebidas pelo grupo. As declarações foram divulgadas pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo , e reproduzidas por veículos de imprensa.

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige", escreveu o pastor.

Na mesma conversa, Malafaia classificou a atuação do grupo como amadora e influente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar a situação política de Flávio.

Carta causada, fato e foi modificada

A polêmica começou após Flávio divulgar um documento no qual contestava o resultado eleitoral e alegava a ocorrência de fraude, sem apresentar provas que sustentassem a acusação. Na primeira versão, o senador se autodeclarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

Depois da repercussão negativa, o texto foi alterado. Em uma versão posterior, Flávio passou a se apresentar como “líder do Brasil”, retirando a afirmação anterior sobre a Presidência.

O senador também questionou a ampliação do horário de votação até as 19h em todo o país e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A carta, porém, não apresentou comprovação de que a medida tenha alterado o resultado das eleições.

Viagem aos Estados Unidos amplia a crise

A divulgação do documento ocorreu depois que Flávio deixou o Brasil com a família e seguiu para os Estados Unidos. Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal investiga a situação da saída do Senado, que ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes e impor restrições à viagem.

A PF informou que não encontrou registros de passagem do parlamentar pelos postos oficiais de controle migratório brasileiro. Segundo a corporação, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina antes de embarcar em um avião específico para os Estados Unidos.

A viagem e a carta intensificaram a repercussão política do episódio, especialmente pela tentativa de contestar publicamente o resultado eleitoral.

De aliado a crítico

Malafaia foi um dos apoiadores públicos da candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante a campanha, o pastor declarou apoio ao senador e ao candidato ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas.

A crítica divulgada nesta quarta-feira expõe divergências sobre a condução política adotada pelo grupo bolsonarista após a derrota nas urnas. Embora tenha criticado a carta e seus autores, Malafaia também defendeu publicamente a viagem de Flávio aos Estados Unidos.

Procurado para comentar as mensagens, o pastor não quis fazer declarações sobre o assunto.

O episódio ocorre em meio à disputa política sobre o resultado das eleições e as consequências da saída de Flávio do país. Até o momento, as acusações de fraude eleitoral apresentadas pelo senador não foram acompanhadas, na carta, de provas que demonstrem irregularidades capazes de modificar o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

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