"Não é justo usar dinheiro público para limpar terrenos privados", diz Gabriela Garrido ao cobrar multas por descarte irregular
Além da fiscalização de lixões, vereadora abordou adequações na malha aérea, expansão turística e repudiou o atentado a tiros sofrido pela prefeita de Livramento
Na sessão ordinária desta quarta-feira (22), a vereadora Gabriela Garrido (PV) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista para apresentar demandas de zeladoria urbana, relatar os resultados de agendas institucionais em Salvador e manifestar repúdio a atos de violência política, citando o recente ataque à prefeita de Livramento de Nossa Senhora.
O principal problema estrutural levado ao plenário pela parlamentar foi a formação de um lixão a céu aberto em um terreno particular localizado no loteamento Felício, bairro Morada dos Pássaros. A área fica adjacente a um condomínio residencial que abriga mais de mil famílias.
De acordo com o levantamento apresentado pela vereadora, a maior parte dos resíduos descartados irregularmente no local provém da construção civil. Garrido apontou que Vitória da Conquista conta atualmente com apenas dois locais devidamente licenciados para o recebimento desse tipo de material, número considerado incompatível com o volume de entulho produzido no município.
As consequências do descarte ilegal incluem a proliferação de animais peçonhentos e roedores, além do agravamento de processos erosivos que resultam no escoamento de lama para as residências durante os períodos de chuva.
Como solução, a parlamentar cobrou o fortalecimento da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesep) e a atuação conjunta de outros órgãos da Prefeitura para notificar e punir os infratores. "Essas multas precisam ser impostas a esses proprietários, porque não é justo também que a gente pegue o dinheiro público e utilize para limpar terrenos privados", defendeu.
A vereadora também prestou contas sobre uma reunião recente com a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), em Salvador. Um dos temas centrais foi a adequação da malha aérea local.
Segundo Garrido, o Governo do Estado já aplicou as isenções tributárias possíveis para atrair as empresas, mas o setor aéreo ainda enfrenta dificuldades financeiras decorrentes da pandemia. A expectativa relatada pela parlamentar é que uma aeronave da companhia Gol assuma o fluxo deixado pelo cancelamento recente de uma das rotas operadas pela companhia Azul na cidade.
No setor turístico, a pauta incluiu a formulação de estratégias para fortalecer o turismo de negócios no município e a expansão do projeto "Rota do Café". Inicialmente focado na cidade de Barra do Choça, o objetivo é estender o circuito para integrar as propriedades rurais de todo o Planalto da Conquista.
Violência política e atentado na BA-152
A abertura do pronunciamento de Gabriela Garrido foi dedicada a uma moção de solidariedade à prefeita Joanina Sampaio (PSB). Na última terça-feira (21), o carro oficial em que a gestora viajava foi atingido por tiros na rodovia BA-152, localizada na zona rural do município do Sudoeste baiano.
De acordo com as informações da Polícia Civil, um motociclista tentou realizar uma ultrapassagem, emparelhou com o carro e efetuou dois disparos contra a carroceria do veículo antes de fugir. A prefeita e um acompanhante estavam no automóvel, mas não sofreram ferimentos. A delegacia local investiga o caso para identificar o suspeito e esclarecer a motivação do crime. Em nota, a gestora informou que registrou um boletim de ocorrência e que o veículo foi encaminhado para perícia técnica.
Ao repudiar o ataque na tribuna, a vereadora conquistense destacou que a violência política atinge majoritariamente as mulheres e cobrou a responsabilização rigorosa dos autores. "São coisas agressivas e baixas que não cabem na política de um Estado Democrático de Direito", concluiu.







