Rui Costa rebate ACM Neto com críticas a indicadores de Salvador e acusações de práticas oligárquicas

Em entrevista, pré-candidato ao Senado questionou os resultados da gestão do União Brasil na capital baiana nas áreas de saúde, educação e infraestrutura

  • Da Mega
  • Atualizado: 27/04/2026, 01:18h

O ex-governador da Bahia e atual ministro Rui Costa subiu o tom das críticas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), durante uma entrevista concedida à rádio Metrópole. O embate acirra o cenário político estadual, com Costa saindo em defesa do atual governador Jerônimo Rodrigues e questionando o legado do grupo adversário, que comanda a capital baiana há mais de uma década.

Apresentando-se como pré-candidato ao Senado nas próximas eleições, Rui Costa direcionou seus ataques iniciais ao que classificou como um modelo político ultrapassado. Ele criticou grupos políticos tradicionais e o uso de estruturas midiáticas para a perpetuação no poder, afirmando que a lógica de "oligarquia" e de "herdeiros do poder" é o que existe de mais envelhecido e cansado na política nacional.

Para contrapor as críticas feitas por ACM Neto à gestão estadual, Rui Costa recorreu a um resgate de promessas de campanha feitas pelo adversário em 2012 e as comparou com os indicadores atuais de Salvador.

O foco central das críticas foi a área da saúde. Segundo o ex-ministro, após 16 anos de administração do mesmo grupo político, Salvador figura como a terceira pior capital do país em índices de mortalidade infantil. Ele atribuiu esse cenário a uma assistência pré-natal deficitária na rede municipal.

Ainda no setor de saúde pública, Costa afirmou que as promessas de universalização da atenção básica não foram cumpridas, apontando que cerca de 40% da população soteropolitana não possui acesso adequado a postos de saúde. Ele também criticou a lentidão na entrega de equipamentos, mencionando que apenas cinco centros de exames teriam sido inaugurados em mais de dez anos, resultando em filas e dificuldades de atendimento para a população.

A gestão dos recursos públicos e os investimentos em educação também foram alvos de questionamentos. Rui Costa criticou a destinação das verbas arrecadadas pela Prefeitura de Salvador com a venda de terrenos públicos que, segundo ele, eram áreas valiosas cujos recursos não foram revertidos para o setor educacional. O político citou levantamentos que colocariam a capital baiana entre os piores desempenhos nacionais em educação infantil.

O ex-governador também levantou suspeitas sobre a administração de projetos específicos do município, como o programa "Pé na Escola", criado na gestão de ACM Neto, o qual ele ironizou classificando como um "pontapé na educação".

Na reta final de suas declarações, Rui Costa buscou associar o grupo de ACM Neto a recentes denúncias e investigações de corrupção. Ele mencionou a presença de figuras controversas na cúpula do partido adversário.

"É o mesmo grupo que coloca o 'Rei do Lixo' na executiva nacional do partido", declarou o ministro, fazendo referência a áudios atribuídos a investigações da Polícia Federal que apontariam para negociações irregulares envolvendo o loteamento de cargos públicos. Para Costa, esses episódios evidenciam um modelo de gestão que despreza a população de baixa renda e se sustenta em velhas práticas políticas.

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