Assassinatos e trabalho escravo no campo crescem no Brasil, aponta relatório

  • Da Mega
  • Atualizado: 27/04/2026, 09:38h

A violência no campo voltou a crescer no Brasil, mesmo com a redução no número total de conflitos agrários. Dados divulgados nesta segunda-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam aumento nos assassinatos e nos casos de trabalho escravo em 2025.

De acordo com a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil , o país registrou 1.593 ocorrências no último ano, uma queda de 28% em relação às 2.207 registradas em 2024. Apesar da redução geral, os indicadores mais graves tiveram avanço significativo.

O número de assassinatos dobrou no período, passando de 13 para 26 vítimas, entre trabalhadores rurais e povos tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A maior parte dos casos foi registrada na Amazônia Legal, com destaque para os estados do Pará e Rondônia.

Segundo o relatório, os fazendeiros aparecem como principais envolvidos nos homicídios, ocorrendo tanto como executores quanto como mandantes em grande parte dos casos.

Além das mortes, outros indicadores de violência também cresceram. O número de prisões subiu de 71 para 111 registros, enquanto os casos de humilhação aumentaram de cinco para 142. Já as ocorrências de cárcere privado saltaram de um para 105 episódios no mesmo período.

Trabalho em alta

O relatório também aponta aumento nos casos de trabalho escravo contemporâneo. Em 2025, foram registados 159 casos — crescimento de 5% em relação ao ano anterior — com 1.991 trabalhadores resgatados, número 23% superior ao de 2024.

As atividades com maior incidência de resgate incluem construção de usinas, trabalho, investigação de cana-de-açúcar, mineração e pecuária — setores historicamente associados a esse tipo de crime no país.

Conflitos persistem com nova dinâmica

Apesar da queda no número total de conflitos, o relatório indica que a violência no campo se tornou mais intensa e técnica. Os especialistas apontam que as disputas por terra, o avanço das atividades econômicas e a atuação de grupos organizados têm como foco comunidades rurais e territórios tradicionais.

O levantamento reforça que, embora menos frequentes, os conflitos apresentam maior gravidade, com impactos diretos sobre populações vulneráveis ​​e trabalhadores do campo em diferentes regiões do país.

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