HGVC registra mais de 2,2 mil atendimentos por acidentes de trânsito em apenas cinco meses

Em sessão do Maio Amarelo, diretora técnica vinculou superlotação da ortopedia e gargalos na regulação à imprudência nas vias da região

Foto: Ascom Câmara Municipal
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 20/05/2026, 03:00h

A diretora técnica do Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), Dra. Jucélia, apresentou um balanço estatístico sobre o impacto das ocorrências viárias na rede pública de saúde. Durante pronunciamento na Sessão Especial do Maio Amarelo, realizada nesta quarta-feira (20) no auditório do SEST/SENAT, a médica revelou que a unidade já contabilizou 2.260 atendimentos decorrentes de acidentes de trânsito entre janeiro e a primeira metade de maio de 2026.

A gravidade do tema foi ilustrada logo na abertura da fala da diretora, que justificou a ausência do diretor médico do hospital, Dr. Daniel. O gestor precisou se ausentar do evento de urgência para prestar socorro na emergência do HGVC a uma funcionária da própria instituição, que havia acabado de ser vítima de um acidente de motocicleta.

Os dados apresentados pela diretora apontam para uma tendência de alta que pode superar os registros do ano anterior. Em 2025, o HGVC notificou um total de 4.673 casos de acidentes de trânsito. Atualmente, o complexo hospitalar mantém mais de 80 pacientes internados simultaneamente apenas nas alas de ortopedia.

A demanda excessiva pressiona o fluxo de atendimento, uma vez que a unidade atende tanto a população local de Vitória da Conquista quanto pacientes referenciados de outros 74 municípios pactuados na região sudoeste da Bahia.

Dra. Jucélia explicou a relação de causa e efeito entre o comportamento nas vias e as dificuldades operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS):

Segundo ela, os maiores índices de internação hospitalar no estado da Bahia estão concentrados na especialidade de ortopedia, com predominância de fraturas fechadas. Esses quadros exigem procedimentos cirúrgicos complexos, insumos de alto custo e longos períodos de internação.

Além disso, o tempo prolongado de ocupação dos leitos por causas evitáveis retém as vagas e alimenta os gargalos da chamada "fila da regulação" estadual. Ainda, conforme pontuado pela médica, mesmo a abertura de novas estruturas — como o Hospital Ortopédico do Estado — não tem sido suficiente para absorver a demanda contínua.

"As pessoas precisam se conscientizar, pois esses recursos poderiam estar voltados para resolver outros problemas e causas que não dependem da prevenção no trânsito", argumentou a diretora técnica.

O pronunciamento da gestora do HGVC direcionou-se em especial aos estudantes que acompanhavam a sessão. Ela alertou que os sinistros envolvendo motocicletas, automóveis e bicicletas constituem o principal fator gerador de acionamentos de urgência do Samu 192 e de entradas nas portas de emergência da região.

O relatório reforça a tese defendida por autoridades de segurança de que os acidentes viários devem ser tratados não apenas sob a ótica da mobilidade urbana, mas como um problema crônico de saúde pública que compromete a capacidade de atendimento eletivo e de outras patologias em todo o sudoeste baiano.

*Com informações do site da Câmara

Comentários


Instagram

Facebook