Cerca de 30 mil crianças nascem com malformação no coração a cada ano no Brasil
O Ministério da Saúde aponta que cerca de 30 mil crianças nascem com algum tipo de malformação no coração a cada ano no Brasil. Nesta sexta-feira (12), data em que se estabelece o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, a coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Renata Mattos, informou que o acesso ao diagnóstico desta condição registra expansão no território nacional. A estimativa global indica que em torno de 1% de todas as crianças nascidas vivas apresentam a disfunção, sendo que 30% desse total demandam assistência médica nos primeiros anos de infância.
A cardiopatia congênita consiste em qualquer alteração na estrutura do coração que ocorre durante a formação do feto na gestação. De acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde, a condição é uma das causas de mortalidade infantil decorrente de malformações, o que gera a necessidade de identificação precoce e monitoramento médico especializado para a manutenção da sobrevida dos pacientes. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza assistência integral para o tratamento, o que inclui a realização de ecocardiograma no período pré-natal e procedimentos cirúrgicos de alta complexidade.
As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a realização do ecocardiograma fetal entre a 24ª e a 28ª semana de gestação para a identificação de anomalias prévias ao nascimento. Na triagem neonatal, as maternidades públicas e privadas executam obrigatoriamente o Teste do Coraçãozinho (oximetria de pulso) em recém-nascidos, entre 24 e 48 horas de vida, para a detecção de cardiopatias críticas. Após a confirmação do diagnóstico, os pacientes são integrados à Linha de Cuidado do SUS, com encaminhamento para unidades da rede especializada para acompanhamento clínico ou intervenções cirúrgicas.
Em depoimento, a cardiologista pediátrica Renata Mattos detalhou os critérios de distribuição do suporte médico no país. “Aqui, na Região Sudeste, a gente tem mais acesso do que na Região Norte, por exemplo. Mas, de forma geral, a gente vê que o diagnóstico está sendo feito e o acesso ao tratamento está cada vez melhor”, afirmou a especialista. Mattos explicou ainda que a identificação da cardiopatia no feto serve para orientar o plano de parto. Caso a patologia demande intervenção imediata, o nascimento deve ser programado para unidades de saúde que disponham de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cirurgia cardíaca ou cateterismo.
A equipe médica orienta que, na ausência de diagnóstico neonatal, as famílias devem monitorar sintomas específicos durante a rotina de consultas com o pediatra. Os sinais de alerta incluem dificuldades no ganho de peso, cansaço excessivo ou interrupção frequente durante as mamadas, respiração acelerada, coloração arroxeada nos lábios e na ponta do nariz, além de relatos de dor no peito ou palpitações em crianças de maior idade. Segundo Mattos, a aplicação dos procedimentos corretos possibilita a inserção habitual dos pacientes em atividades cotidianas e práticas de exercícios físicos, sob regular supervisão médica.
O acompanhamento de longo prazo é ilustrado pelo caso de Nathan Senna Alves, de 30 anos, diagnosticado com uma variação grave da cardiopatia após o nascimento e assistido pela instituição Pró Criança Cardíaca, que atua no setor há três décadas. Alves passou por três intervenções cirúrgicas para a substituição de válvulas cardíacas aos 2, 6 e 18 anos de idade. Atualmente, ele recebe atendimento na Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A fundadora do projeto social, Rosa Célia, declarou que o histórico reflete os impactos da assistência em saúde: “Quando há diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado, a cardiopatia congênita não precisa definir os limites de uma vida”.








