MP investiga Dinho dos Campinhos por suspeita de "rachadinha"

Inquérito apura denúncia de devolução de parte dos salários de assessor parlamentar; vereador poderá responder a processo de cassação

MP investiga Dinho dos Campinhos  por suspeita de "rachadinha"
Foto: Ascom Câmara Municipal
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 07/07/2026, 04:18h

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um inquérito para investigar a suposta prática de "rachadinha" atribuída ao vereador de Vitória da Conquista, Gilvan Nunes Pereira, conhecido como Dinho dos Campinhos (Republicanos). A investigação apura a suposta exigência da devolução de parte dos salários de um assessor parlamentar comissionado, por meio de transferências bancárias e Pix.

A instauração do inquérito foi anunciada na segunda-feira (6) pelo promotor George Elias Gonçalves Pereira, titular da 8ª Promotoria de Justiça de Vitória da Conquista. Segundo o MP, o objetivo é apurar a suposta exigência sistemática e reiterada da devolução de parte dos vencimentos pagos a um assessor lotado no gabinete do vereador.

De acordo com a denúncia, apresentada por um ex-assessor à Promotoria e à Corregedoria da Câmara Municipal, o parlamentar teria exigido a devolução de parte dos salários durante o período em que o denunciante trabalhou no gabinete. Os repasses, conforme o relato, seriam feitos por meio de transferências bancárias e transações via Pix.

A investigação também reúne áudios atribuídos ao vereador, nos quais ele orientaria o servidor sobre um suposto acordo para que o assessor permanecesse com cerca de R$ 700 do salário, enquanto o restante deveria ser devolvido. O procedimento ainda inclui extratos bancários e registros de movimentações financeiras que, segundo a denúncia, indicariam devoluções frequentes, algumas de até R$ 3,5 mil.

Ainda conforme o material analisado pelo MP, em algumas ocasiões o ex-assessor teria ficado com saldo negativo na conta bancária após realizar as transferências. A estimativa é de que os valores devolvidos durante o período investigado variem entre R$ 45 mil e R$ 60 mil.

O caso também teve repercussão na Câmara Municipal. Em maio, manifestantes ocuparam o plenário para cobrar agilidade na apuração das denúncias. Em meio às investigações, Dinho dos Campinhos deixou o cargo que ocupava na Mesa Diretora e poderá responder a um eventual processo de cassação de mandato.

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