Empresas investigadas pelo MP mantiveram contratos com dezenas de prefeituras baianas entre 2018 e 2026
Levantamento realizado a partir de dados do Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) aponta que cinco empresas investigadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por suspeitas de irregularidades em contratos com a Prefeitura de Salvador também firmaram contratos e receberam recursos de diversas prefeituras do interior do estado entre 2018 e 2026.
De acordo com os registros, as empresas LN Distribuidora, G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, Podium Distribuidora e WLSP Logística movimentaram recursos públicos em diferentes administrações municipais ao longo do período analisado. Os contratos com os municípios do interior, entretanto, não fazem parte da investigação anunciada pelo MP-BA, que tem como foco contratos celebrados com a administração da capital baiana.
A LN Distribuidora aparece com pagamentos em vários municípios. Em Candeias, a empresa recebeu mais de R$ 1 milhão em 2022 e aproximadamente R$ 1,84 milhão no ano seguinte. Em Dias d'Ávila, os repasses ultrapassaram R$ 350 mil entre 2023 e 2024. Já em Caetité, atuando em consórcio, os pagamentos somaram valores superiores a R$ 736 mil entre 2024 e 2026. Também há registros de pagamentos em Vera Cruz, Teodoro Sampaio, Esplanada e Licínio de Almeida.
A G3 Polaris Serviços é a empresa com presença em um maior número de municípios. Em Vitória da Conquista, os registros apontam pagamentos superiores a R$ 6,2 milhões entre 2020 e 2026. Em Cansanção, os repasses ultrapassaram R$ 7,5 milhões nos últimos quatro anos, enquanto em Jequié chegaram a cerca de R$ 2 milhões. A empresa também recebeu recursos de municípios como Pojuca, Nazaré e Brejões, além de manter contratos com Candeias, Jandaíra, Iaçu, Amélia Rodrigues, Capim Grosso, Mata de São João, Camaçari, Mirangaba, Santo Antônio de Jesus, Alagoinhas, Valença, Conceição da Feira, Itaparica, Rio Real e Salinas da Margarida.
Outra empresa citada no levantamento é a MP2 Construções, que registra pagamentos expressivos em diferentes municípios. Em Santaluz, os contratos somaram cerca de R$ 8,1 milhões. Em Conceição da Feira, os repasses alcançaram R$ 2,8 milhões, enquanto Jussara destinou aproximadamente R$ 1,3 milhão à empresa. Também há registros de pagamentos em Jandaíra, Candeias, São José do Jacuípe, Salinas da Margarida, Nazaré, Mirangaba, Capim Grosso, Conde, São Miguel das Matas e Mata de São João.
A Podium Distribuidora apresenta atuação mais restrita no período analisado, com registros de pagamentos em Brejões e São Félix do Coribe. Já a WLSP Logística concentrou sua atuação municipal em Salvador, recebendo valores anuais que oscilaram entre aproximadamente R$ 2,5 milhões, em 2018, e R$ 1,8 milhão, em 2025. Até junho de 2026, os pagamentos realizados à empresa naquele ano já ultrapassavam R$ 1 milhão.
As cinco empresas integram a investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia sobre supostas fraudes em contratos firmados com a Prefeitura de Salvador. A operação, deflagrada no último dia 13, resultou no afastamento do então secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e do vereador George, conhecido como Gordinho da Favela.
Até o momento, conforme as informações disponíveis no texto-base, não há indicação de que os contratos celebrados pelas empresas com os demais municípios baianos sejam objeto da investigação em andamento, que permanece restrita aos contratos firmados com a administração da capital baiana.



