“Colocar a culpa em terceiros é muito fácil”, diz Márcia Viviane ao criticar gestão da saúde em Conquista

Líder da bancada de oposição contestou declarações da prefeita Sheila Lemos, defendeu a atuação do Governo do Estado e apontou problemas na administração da rede municipal de saúde durante sessão desta quarta-feira (12)

Foto: Ascom Câmara Vitória da Conquista
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 12/08/2026, 03:10h

Durante a sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (12), a vereadora Márcia Viviane (PT), líder da bancada de oposição, criticou a condução da saúde pública municipal e contestou declarações feitas pela prefeita Sheila Lemos em entrevista à Rádio Band.

A parlamentar concentrou o pronunciamento na divisão de responsabilidades pelo funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e afirmou que problemas enfrentados atualmente pela população, como falta de medicamentos e dificuldades para conseguir exames, consultas e cirurgias, estão relacionados à gestão municipal.

Antes de abordar a situação atual, Márcia Viviane fez uma retrospectiva da administração municipal iniciada em 1997, durante o primeiro mandato do ex-prefeito Guilherme Menezes (PT). Segundo ela, naquele período, Vitória da Conquista possuía cinco postos de saúde com problemas estruturais, cinco médicos e sete enfermeiras, além de não contar com programas de saúde implantados.

A vereadora afirmou que a municipalização da saúde, realizada a partir de 1998, possibilitou maior controle sobre os recursos do SUS e citou como um dos principais exemplos desse período a retomada da administração do Hospital Municipal Esaú Matos, que anteriormente estava sob gestão da Santa Casa.

Segundo Márcia Viviane, após retornar à administração municipal, o hospital passou por reforma e reestruturação e se consolidou como unidade materno-infantil de referência para gestação de alto risco e atendimento de pacientes de municípios da região Sudoeste. A parlamentar ressaltou que o caráter regional do Esaú Matos não é recente e afirmou que o atendimento de moradores de outros municípios faz parte da atuação histórica da unidade.

“Desde o início da retomada do Esaú, o Esaú é regional. Não é novidade para Vitória da Conquista que o atendimento do Esaú é referência para os municípios da região Sudoeste”, declarou.

Márcia Viviane também citou uma declaração atribuída a Rui Costa segundo a qual o Governo do Estado investiria cerca de R$ 8 milhões por ano no Hospital Esaú Matos. Durante o pronunciamento, a líder da oposição voltou a criticar o orçamento municipal para 2026. Segundo ela, a proposta aprovada pela Câmara teria reduzido em aproximadamente R$ 70 milhões os recursos previstos para a saúde em comparação com o orçamento anterior.

A vereadora afirmou que votou contra a proposta e que já havia alertado para possíveis impactos sobre os serviços oferecidos à população. “Quando falta medicamento nos postos de saúde, quando tem dificuldade de marcar exames, consultas e cirurgias, quando faltam fraldas para as crianças neurodivergentes, não é culpa do Governo do Estado”, declarou.

Márcia Viviane também apresentou números referentes aos repasses do Ministério da Saúde. Segundo a parlamentar, Vitória da Conquista teria recebido aproximadamente R$ 250 milhões para a saúde em 2025 e mais de R$ 143 milhões em 2026 até o momento.

A vereadora, que já ocupou o cargo de secretária municipal de Saúde, defendeu que parte das dificuldades enfrentadas pela rede está relacionada à administração dos recursos e dos serviços. Márcia Viviane também afirmou que equipamentos mantidos pelo Governo da Bahia têm participação relevante na assistência prestada à população de Vitória da Conquista e da região.

Durante a fala, ela mencionou ainda a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), afirmando que o serviço chegou a ser habilitado para gestão municipal pelo Ministério da Saúde, mas posteriormente passou para a administração estadual.

A parlamentar sugeriu que alternativas semelhantes sejam avaliadas para outros equipamentos caso o município não consiga manter adequadamente os serviços sob sua responsabilidade. "Colocar a culpa em terceiros é muito fácil”, afirmou ao encerrar o pronunciamento.

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