Ricardo Gordo alerta para fim do atendimento do Hospital Unimec pelo SUS e cobra plano para evitar desassistência

Vereador afirma que unidade realiza cerca de 2 mil atendimentos mensais e questiona como demanda será absorvida após 15 de setembro; Ministério Público já recomendou que Prefeitura apresente plano de reorganização da rede

Foto: Ascom Câmara Municipal
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 19/08/2026, 02:11h

O vereador Ricardo Gordo (PSB) chamou atenção, durante a sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (19), para os impactos do encerramento da atual contratualização do Hospital Unimec com o Sistema Único de Saúde (SUS), previsto para 15 de setembro.

Na tribuna, o parlamentar cobrou da Prefeitura de Vitória da Conquista a apresentação de um planejamento para absorver os pacientes atualmente atendidos pela unidade e defendeu uma articulação entre Município, Governo do Estado, Ministério Público e Câmara Municipal diante da proximidade do prazo. “O que a Prefeitura está preparando para depois do dia 15?”, questionou Ricardo.

Segundo o vereador, o Hospital Unimec realiza aproximadamente 2 mil atendimentos por mês pelo SUS. Ele também destacou o atendimento de demandas relacionadas à saúde mental durante noites, finais de semana e feriados.

A preocupação apresentada pelo parlamentar ocorre após o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) recomendar à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Saúde a adoção de medidas para garantir a continuidade da assistência aos usuários do SUS diante do encerramento da contratualização. Na recomendação, o MPBA solicita a elaboração de um plano formal de reorganização da rede assistencial, com indicação das unidades que deverão receber a demanda, disponibilidade de leitos, organização dos fluxos de regulação e medidas de contingência.

Durante o pronunciamento, Ricardo Gordo utilizou o caso de um morador de 78 anos do bairro Campinhos para ilustrar as dificuldades que, segundo ele, pacientes têm enfrentado na busca por atendimento. De acordo com o relato feito na tribuna, o idoso apresentou um quadro de convulsão no último sábado e teria procurado diferentes unidades de saúde. O vereador afirmou que a UPA, o Hospital São Vicente e o Hospital Unimec estavam com alta demanda e que familiares acabaram reunindo recursos para pagar atendimento particular no IBR.

O episódio foi apresentado pelo parlamentar como exemplo da necessidade de discutir a capacidade atual da rede. “A saúde não está bem para ninguém. Para quem tem dinheiro, para quem tem plano de saúde está ruim, imagine para o povão na rua como está. Então é o momento da gente sentar, pensar e traçar uma estratégia”, declarou.

Ricardo Gordo também afirmou ter entrado em contato com o Hospital Unimec antes da sessão. Segundo o vereador, a unidade teria interesse na continuidade do contrato, desde que haja negociação envolvendo reajuste dos valores pagos pelos serviços. “Não é que eles não querem renovar o contrato. Eles querem renovar, sim, o contrato com a Prefeitura, mas desde que haja um reajuste na tabela”, afirmou.

A informação sobre as condições para uma eventual renovação foi apresentada pelo parlamentar durante o pronunciamento. Não foi apresentada, na fala, manifestação da Prefeitura sobre a possibilidade de reajuste ou de uma nova negociação com o hospital. O vereador ainda citou ainda dificuldades para acesso pelo SUS a procedimentos como ressonância magnética, ultrassonografia, endoscopia, colonoscopia e tomografia, além de consultas com especialistas.

Para Ricardo, a proximidade do encerramento do contrato exige uma discussão conjunta sobre a reorganização da assistência. “É o momento de nós nos unirmos em relação a este problema da saúde. É muito grave”, declarou.

O encerramento da atual contratualização está previsto para 15 de setembro. Até lá, a discussão deverá se concentrar na definição de como os atendimentos atualmente realizados pelo Hospital Unimec serão mantidos ou redistribuídos dentro da rede de saúde de Vitória da Conquista.

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