Universidades brasileiras participam de pesquisa inédita que busca novos tratamentos para hepatite B
Estudo reúne pesquisadores de Brasil, Estados Unidos, Índia, Senegal e Uganda e acompanhará 600 pacientes para investigar fatores relacionados à evolução da infecção e possíveis caminhos para a cura
Pesquisadores de duas universidades públicas brasileiras participam de um estudo internacional que busca identificar novos tratamentos e possíveis caminhos para a cura da hepatite B, doença viral que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose e câncer hepático.
O Brasil é representado pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e pela Universidade de São Paulo (USP). O consórcio é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e também reúne grupos de pesquisa da Índia, Senegal e Uganda.
O estudo pretende analisar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em pacientes de diferentes países e como o sistema imunológico responde à infecção. Pessoas que vivem simultaneamente com hepatite B e HIV também serão acompanhadas.
No total, a pesquisa deverá observar 600 pacientes, sendo 150 em cada um dos quatro países participantes do acompanhamento clínico. Cada participante será acompanhado por aproximadamente quatro anos e meio.
No Brasil, o estudo começou em 2026 e deverá durar cerca de cinco anos. A professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, é uma das responsáveis pela pesquisa no país e deverá acompanhar 75 participantes. O recrutamento começou em julho e já reúne 40 pessoas, com previsão de completar o grupo até o fim deste ano, embora o prazo estabelecido pelo estudo se estenda até meados de 2027.
Entre os objetivos está compreender por que a hepatite B apresenta evoluções diferentes entre os pacientes. Os pesquisadores também procuram características genéticas que possam estar relacionadas à proteção contra formas mais rápidas de progressão da doença e componentes do próprio vírus que possam funcionar como indicadores de resposta ao tratamento ou de uma eventual cura.
As descobertas poderão contribuir para a identificação de novos alvos terapêuticos e, posteriormente, para o desenvolvimento de medicamentos, incluindo estratégias capazes de estimular ou modular a resposta imunológica.
Atualmente, a hepatite B crônica pode ser tratada, mas ainda não há uma cura amplamente disponível. A infecção pode permanecer silenciosa durante anos e, em alguns pacientes, provocar complicações como cirrose e carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer primário do fígado.
Segundo dados citados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 240 milhões de pessoas viviam com infecção crônica pelo vírus em 2024. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
A transmissão pode ocorrer por relações sexuais sem proteção, contato com sangue contaminado e compartilhamento de objetos perfurocortantes, além da transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.
A principal forma de prevenção é a vacinação contra a hepatite B, disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Para crianças, o esquema indicado inclui doses ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos, de forma geral, são administradas três doses.
O uso de preservativos e o não compartilhamento de objetos que possam entrar em contato com sangue também fazem parte das medidas preventivas. A pesquisa integra os esforços internacionais relacionados à meta da OMS de eliminar as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030.
*Com informações da Agência Brasil




