Lula diz que “terrorismo foi o 8 de Janeiro” e rejeita classificação de PCC e CV pelos EUA

Presidente afirmou que facções devem ser combatidas como organizações criminosas e associou o conceito de terrorismo aos atos de 8 de janeiro e ao plano de assassinato de autoridades

O presidente Lula durante evento no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/YouTube via G1
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 18/09/2026, 04:07h

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não aceita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante um evento sobre ações integradas de segurança pública no Rio de Janeiro.

Segundo Lula, o Brasil precisa intensificar o combate ao crime organizado, mas não deve adotar a classificação feita pelo governo norte-americano. “Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Donald Trump”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula citou os ataques de 8 de janeiro de 2023 e o plano investigado pela Polícia Federal para assassinar autoridades durante a trama golpista. Ele classificou esses episódios como terrorismo de Estado.

A classificação das duas facções pelos Estados Unidos representa uma mudança na abordagem de Washington sobre grupos criminosos brasileiros. No Brasil, PCC e Comando Vermelho continuam enquadrados como organizações criminosas, enquanto o governo brasileiro manifestou preocupação com possíveis consequências da medida norte-americana.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem mantido ações integradas com forças estaduais e federais para combater organizações criminosas. No Rio de Janeiro, por exemplo, o governo federal e o estado avançaram nesta semana na elaboração de planos operacionais conjuntos para atuação em corredores logísticos considerados estratégicos.

Durante o discurso, Lula também afirmou que os Estados Unidos têm interesse em recursos naturais brasileiros, citando petróleo, minerais críticos e terras raras. “O petróleo [da Margem Equatorial] parece que é de melhor qualidade. Então, nós temos que tomar conta disso [...], porque o Trump está aí atrás de minerais críticos, petróleo, terras raras. Não! Isso daqui é nosso”, declarou.

A preocupação com minerais estratégicos ganhou espaço na política brasileira. Nesta semana, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabelece medidas para ampliar a pesquisa, produção, beneficiamento e transformação desses recursos no país. A lei também criou um conselho nacional para coordenar políticas relacionadas ao setor. Lula defendeu ainda o aumento dos investimentos em segurança nacional, especialmente para o controle das fronteiras brasileiras.

Durante o evento, o presidente afirmou que pretende retomar territórios sob influência de organizações criminosas caso seja reeleito. Também citou a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, e defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública.

O governo federal tem ampliado a atuação conjunta com estados no combate ao crime organizado. Em uma operação nacional realizada nesta semana, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado mobilizaram 20 unidades da Federação e efetuaram 137 prisões, além de cumprir 173 mandados de busca e apreensão.

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