CDL de Vitória da Conquista se manifesta contra boicote político a comerciantes, mas pede união e cooperação
Entidade afirma que não compactua com iniciativas que estimulem hostilidade ou prejudiquem empresas por posicionamento político de seus proprietários. Listas de boicote circulam nas redes sociais desde a divulgação do resultado das eleições presidenc
A tentativa de transformar divergências políticas em instrumentos de perseguição econômica chegou ao comércio de Vitória da Conquista. Diante da circulação de listas com nomes de empresários, comerciantes e profissionais supostamente identificados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município divulgou, nesta quinta-feira (29), uma manifestação pública pedindo respeito, união e fortalecimento da economia local.
Na nota, a entidade afirma que não compactua com ações que incentivem a hostilidade ou provoquem prejuízos a empresas em razão das preferências políticas de seus proprietários. A CDL defende que o ambiente de negócios deve ser preservado e que as relações comerciais não podem ser submetidas à intolerância ideológica.
O posicionamento ocorre depois que mensagens e listas passaram a circular em grupos de WhatsApp e redes sociais, a partir de segunda-feira (26). O material incentiva consumidores a deixar de comprar em estabelecimentos ou contratar serviços de profissionais identificados como apoiadores de Lula.
A iniciativa expõe comerciantes a constrangimentos e possíveis prejuízos financeiros por suas escolhas eleitorais, em um movimento que ultrapassa a manifestação individual de preferência do consumidor e assume características de pressão coletiva.
Perseguição política provoca reação em Vitória da Conquista
A circulação das listas já provocou manifestações de lideranças políticas, representantes da sociedade civil e influenciadores digitais conquistenses.
Os vereadores Léia de Quinho (PSD) e Ricardo Babão (PCdoB) repudiaram a iniciativa e defenderam o respeito às diferenças políticas. Léia relatou ter recebido uma das listas e afirmou que não deixará de consumir produtos ou contratar serviços de comerciantes por causa de divergências ideológicas.
Ricardo Babão também criticou a campanha e chamou atenção para a gravidade das manifestações de intolerância que acompanham a divulgação dos materiais.
Nas redes sociais, os influenciadores Ellen Lapa e Igor Moura denunciaram episódios de perseguição a profissionais por suas posições políticas.
Em outra frente, o PT Conquista, o movimento Conquista Pela Democracia, o Conquista Repórter, o site Avoador e a vereadora Viviane divulgaram uma iniciativa de valorização de comerciantes e empresários que estariam sendo atingidos pelas tentativas de boicote.
A proposta é contrapor a perseguição com solidariedade e incentivo ao comércio local.
Problema ultrapassa as fronteiras da Bahia
A divulgação de listas de boicote não é um fenômeno isolado de Vitória da Conquista. Iniciativas semelhantes foram identificadas em municípios de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso.
Em algumas localidades, comerciantes e profissionais relataram perda de clientes e seguidores nas redes sociais depois que seus nomes foram associados ao apoio eleitoral a Lula.
O movimento também provocou reações de entidades empresariais e associações comerciais, que passaram a questionar a utilização de preferências políticas como justificativa para constranger e prejudicar empreendedores.
Liberdade política não pode ser motivo de retaliação econômica
O posicionamento da CDL recoloca no centro do debate uma questão fundamental: a liberdade de participação política é um direito de todos os cidadãos, independentemente de suas escolhas eleitorais.
Em uma democracia, empresários, trabalhadores, profissionais liberais e consumidores têm o direito de manifestar suas opiniões, apoiar candidatos e participar do debate público sem sofrer intimidação por isso.
É legítimo que consumidores escolham livremente onde comprar e quais serviços contratar. O problema surge quando campanhas organizadas passam a expor pessoas, divulgar listas e estimular represálias econômicas com base em suas posições políticas.
A eleição terminou. O resultado das urnas não pode servir de justificativa para perseguições, ameaças ou tentativas de silenciamento.
A economia de Vitória da Conquista depende de trabalhadores, empresários, comerciantes e consumidores de diferentes orientações políticas. Defender o comércio local significa também defender o respeito às diferenças, a liberdade e a convivência democrática.











