Brasil retira credenciais de agente dos Estados Unidos após expulsão de delegado da Polícia Federal

Medida foi justificada pelo governo brasileiro sob o princípio da reciprocidade

Foto: Ricardo Stuckert
  • Agência Brasil
  • Atualizado: 23/04/2026, 09:13h

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou, nesta quarta-feira (22), a decisão do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos lotado na sede da corporação, em Brasília. A ação do governo brasileiro foi adotada sob a justificativa da aplicação do princípio de reciprocidade.

A medida ocorreu em retaliação à decisão do governo norte-americano, que determinou a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho de seu território. O policial federal atuava no país e esteve envolvido nas diligências que resultaram na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos EUA.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que a representação da embaixada norte-americana foi comunicada na terça-feira (21) sobre a aplicação da reciprocidade. O Itamaraty criticou a decisão de Washington, classificando-a como "sumária" e destacando que a expulsão do delegado brasileiro não foi precedida por pedidos de esclarecimento ou tentativas de diálogo.

O MRE pontuou ainda que a atitude desrespeita as boas práticas diplomáticas e contraria o memorando de entendimento firmado entre as duas nações para a facilitação do intercâmbio de oficiais na área de segurança.

Em pronunciamento veiculado nas redes sociais, ao lado do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e do diretor-geral da PF, o presidente da República defendeu a proporcionalidade da resposta diplomática. Segundo Lula, a expectativa é que a contrapartida leve a uma retomada do diálogo para que as relações voltem à normalidade.

O caso Ramagem

O atrito entre os dois países tem como pano de fundo a situação jurídica do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado Alexandre Ramagem. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Após a condenação e a consequente perda do mandato, o ex-parlamentar deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos para evitar o cumprimento da pena. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição ao governo norte-americano.

A Polícia Federal relatou que, em abril deste ano, como fruto de cooperação internacional, Ramagem foi detido pelo serviço de imigração em Orlando, na Flórida. Ele permaneceu preso por dois dias antes de ser solto. Na última segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA confirmou formalmente o pedido para que o funcionário brasileiro envolvido na operação deixasse o país.

Aproveitando o pronunciamento sobre a crise diplomática, o governo federal anunciou a autorização para a contratação de mil novos agentes para os quadros da Polícia Federal. De acordo com o Executivo, o contingente recém-aprovado será direcionado estrategicamente para reforçar a fiscalização em portos, aeroportos e regiões de fronteira, com o objetivo de intensificar o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

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