Câmara dos Deputados homenageia Libras e reforça papel da inclusão no Brasil
Em alusão ao Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), celebrado em 24 de abril, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene ontem para marcar a data e destacar a importância da língua para a inclusão da população surda no país.
A data remete à promulgação da lei que reconheceu oficialmente a Libras há 24 anos, consolidando-a como um sistema linguístico completo, e não apenas um conjunto de gestos.
A homenagem foi proposta pela deputada Erika Kokay (PT-DF), que ressaltou a inclusão como um pilar essencial da democracia. Em discurso, ela defendeu o direito à participação plena das pessoas surdas em todos os espaços sociais, reforçando que o acesso à comunicação é condição básica para o exercício da cidadania.
O presidente da Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores, Intérpretes e Guia-intérpretes de Libras, Lenildo Sousa, afirmou que a legislação vai além da inclusão simbólica e representa o reconhecimento de direitos fundamentais da comunidade surda. Segundo ele, a presença de intérpretes qualificados é indispensável para garantir acesso efetivo a serviços públicos e privados.
Durante a sessão, as falas foram realizadas em Libras, com tradução oral feita pela intérprete Letícia Magalhães, assegurando acessibilidade ao público ouvinte.
Lenildo também alertou para os riscos do uso indiscriminado de tecnologias, como avatares e inteligência artificial, na substituição de profissionais. Ele destacou que a Libras é uma língua viva, com variações regionais e elementos subjetivos que exigem sensibilidade humana. Para a entidade, a tecnologia deve atuar como suporte, e não como substituta do trabalho dos intérpretes.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil possui cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. Parte significativa desse público utiliza a Libras como principal meio de comunicação.
Apesar disso, o número de brasileiros que dominam a língua ainda é reduzido: cerca de 1 milhão de pessoas têm conhecimento em Libras, incluindo surdos, intérpretes, professores e familiares — o que representa menos de 1% da população.
No campo educacional, o professor João Paulo, do curso de Letras-Libras da Universidade de Brasília (UnB), defendeu a inclusão obrigatória da língua em cursos de graduação. A proposta busca ampliar a capacidade de comunicação de futuros profissionais com a comunidade surda. Ele também destacou a necessidade de expansão das escolas bilíngues, com ensino em Libras e português, em todo o país.
A sessão reforçou o entendimento de que o fortalecimento da Libras é estratégico para ampliar a inclusão e garantir direitos à população surda brasileira.







