Exercício físico é “remédio” contra infarto, AVC e sedentarismo, afirma cardiologista
A prática regular de exercícios físicos pode reduzir o risco de infarto, AVC, diabetes, controlar a pressão arterial, melhorar o sono, o humor e aumentar a qualidade e a expectativa de vida. A avaliação é do cardiologista Rodrigo Lana, entrevistado no programa “Fator de Risco”, da Rádio Câmara.
Segundo o especialista, a atividade física funciona como um verdadeiro medicamento natural e acessível. “Se eu dissesse que existe um medicamento gratuito, amplamente disponível, que reduz risco de infarto, AVC, diabetes e ainda melhora o humor e a qualidade do sono, todo mundo iria atrás. Esse remédio já existe e se chama atividade física”, destacou.
De acordo com o cardiologista, as principais sociedades médicas recomendam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física leve a moderada ou 90 minutos de exercícios mais intensos. Essa meta pode ser dividida ao longo da semana, como cinco sessões de 30 minutos ou três de 50 minutos.
O médico também desmistificou a ideia de que o chamado “atleta de fim de semana” estaria necessariamente colocando a saúde em risco. Estudos recentes mostram que mesmo pessoas que conseguem se exercitar apenas aos finais de semana ainda apresentam benefícios cardiovasculares importantes quando comparadas às sedentárias.
Apesar disso, ele alerta para a necessidade de progressão gradual, principalmente para quem está parado há muito tempo. A recomendação é começar com caminhadas leves e respeitar os limites do próprio corpo. “O importante é se movimentar. O sedentarismo é definitivamente prejudicial”, afirmou.
Durante a entrevista, o cardiologista explicou que a atividade física regular também exerce papel importante no controle da pressão arterial. Após alguns meses de prática contínua, é possível observar reduções de 5 a 8 mmHg na pressão, efeito semelhante ao de medicamentos usados em doses iniciais no tratamento da hipertensão.
Outro ponto abordado foi a relação entre exercício físico e emagrecimento. Segundo Rodrigo Lana, a atividade física isoladamente nem sempre resulta em perda significativa de peso, já que pode aumentar o apetite e levar a compensações alimentares. No entanto, quando associada à alimentação equilibrada, ela contribui para manter o emagrecimento ao longo do tempo.
O cardiologista destacou ainda o conceito de “hábito angular”, quando a prática de exercícios acaba estimulando outras mudanças positivas no estilo de vida. Pessoas fisicamente ativas tendem a dormir melhor, reduzir o consumo de álcool, abandonar o cigarro e melhorar a alimentação.
A musculação também recebeu atenção especial durante a conversa. O médico ressaltou que manter a força muscular ao longo da vida é fundamental para envelhecer com independência e qualidade. Em mulheres, os exercícios de força ajudam ainda na preservação da saúde óssea e na prevenção da osteoporose.
“Não basta viver mais. A gente quer viver mais com autonomia, conseguindo realizar as atividades do dia a dia”, explicou.
Para quem deseja começar uma rotina de exercícios, Rodrigo Lana sugere medidas simples, como aumentar a quantidade de passos diários utilizando aplicativos no celular. A meta de 7 mil a 10 mil passos por dia já representa um excelente começo.
Ele também orienta utilizar o chamado “teste da fala” para avaliar a intensidade do exercício. Se a pessoa consegue conversar normalmente durante a atividade, o esforço ainda está em nível leve. Caso a fala fique ofegante e entrecortada, é sinal de intensidade moderada ou alta.
Antes de iniciar atividades mais intensas, especialmente em pessoas com doenças cardíacas conhecidas ou fatores de risco importantes, o ideal é procurar avaliação médica especializada.







