Governo Federal mobiliza Força Nacional após denúncias de ameaças e violência contra indígenas em MS
Operação reúne Polícia Federal, PRF, Força Nacional e órgãos estaduais. Dez denúncias envolvendo povos indígenas foram encaminhadas para investigação, em meio a relatos de violência política e discriminação após as eleições.
O Governo Federal intensificou as medidas de proteção às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o recebimento de denúncias de ameaças, violência, racismo e intimidação no período posterior ao segundo turno das eleições de 2026. A situação levou à mobilização conjunta de diferentes ministérios e forças de segurança para acompanhar os casos, reforçar a presença nos territórios e identificar possíveis responsáveis.
A iniciativa envolve os ministérios dos Povos Indígenas, da Justiça e Segurança Pública e dos Direitos Humanos e da Cidadania, além da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Força Nacional de Segurança Pública.
No sábado (31), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, estiveram nas aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, no município de Tacuru. A visita teve como objetivo ouvir as lideranças, verificar as denúncias e avaliar a necessidade de novas medidas de proteção.
Em Dourados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniu representantes das forças policiais federais e estaduais para organizar as ações de resposta às ocorrências.
Dez denúncias envolvendo indígenas
Até 30 de outubro, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania contabilizava 189 denúncias relacionadas a violência política, intimidação e discriminação em todo o país, no contexto das Eleições Gerais de 2026.
Entre os registros estão agressões físicas, xenofobia e assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Especificamente sobre os povos indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu dez denúncias, já encaminhadas aos órgãos responsáveis pela investigação.
As equipes da Funai também foram deslocadas para as aldeias de onde partiram os relatos. O trabalho inclui coleta de informações, acompanhamento das lideranças e articulação com os órgãos responsáveis pela mediação de conflitos fundiários indígenas.
Força Nacional terá atuação permanente na região
Uma das principais medidas anunciadas é o reforço da atuação da Força Nacional, que deverá manter equipes disponíveis para deslocamento rápido diante de ocorrências graves.
A Polícia Federal também intensificou o trabalho de inteligência e investigação. A Superintendência em Campo Grande e as cinco delegacias do interior receberam orientação para atuar 24 horas por dia na identificação de denúncias e adoção das providências necessárias.
A PRF disponibilizou sua estrutura de inteligência para auxiliar na apuração dos casos. Um grupo de trabalho foi organizado para agilizar o compartilhamento de informações entre as instituições.
Segundo o ministro Wellington César Lima e Silva, as autoridades já trabalham na investigação de ocorrências específicas e na identificação de possíveis responsáveis.
Programa de proteção acompanha 86 indígenas
Outra frente de atuação envolve o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Atualmente, o programa acompanha 90 pessoas em Mato Grosso do Sul. Desse total, 86 são indígenas: 84 pertencentes aos povos Guarani e Kaiowá e duas do povo Terena.
A iniciativa oferece proteção a pessoas que enfrentam riscos ou ameaças em razão de sua atuação na defesa dos direitos humanos.
A ministra Janine Mello informou que o acompanhamento será mantido pelo tempo necessário, em articulação com a Polícia Federal, a Defensoria Pública da União, o Ministério Público e os demais órgãos envolvidos.
Como denunciar ameaças e agressões
O Governo Federal orienta que vítimas e testemunhas procurem os canais oficiais para registrar ocorrências e contribuir com as investigações.
Em situações de risco imediato, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Também podem ser procurados a Polícia Civil, o Ministério Público, o Disque 100 – Disque Direitos Humanos e as ouvidorias dos órgãos públicos.
Outra possibilidade é utilizar a plataforma Fala.BR.
As autoridades recomendam preservar provas que possam ajudar na apuração, como capturas de tela de mensagens, gravações de áudio, vídeos e informações de testemunhas.
A mobilização federal ocorre diante da necessidade de garantir a segurança das comunidades indígenas, preservar seus direitos e apurar denúncias de violência e discriminação. A investigação dos episódios e a responsabilização de eventuais envolvidos serão fundamentais para que as medidas de proteção tenham resultados concretos.









